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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Meu parto natural humanizado


Resolvi escrever sobre meu parto para tentar contribuir com as informações sobre o parto natural humanizado (ou simplesmente saciar a curiosidade das amigas que queiram entender que raio é isso de parto natural humanizado). De fato, infelizmente, ainda me sinto um bicho do mato quando falo sobre minha opção. As pessoas me olham espantadas, não sei se pensando que sou corajosa ou que sou doida mesmo. Mas, isso é um tabu que estamos quebrando aos poucos com a chegada das informações seja via televisão, internet, redes sociais ou pelo crescente número de mães que estão fazendo esta opção também. Não desaprovo quem escolhe fazer cesárea. Na minha cabeça, acho que falta informação. Quem busca informação sobre o assunto, acredito que não conseguirá fazer outra escolha senão a forma mais natural e linda de se trazer um filho ao mundo. Se optar pela cesárea também, não tem problema. Pelo menos a pessoa está informada sobre suas opções para este momento tão importante.

Engravidei do Felipe de forma não programada quando a Larissa estava com apenas um ano e um mês de idade. Confesso que o medo do parto superou meu medo de como daria conta de dois bebês.  O parto “normal” da Larissa foi muito traumatizante e só de pensar em passar por tudo aquilo de novo, eu gelava. Iniciei o pré natal no posto de saúde aqui de Ipeúna. O médico foi bem receptivo, mas posto de saúde já viu, né?! Um monte de gravidas para um só médico atender. Consultas de no máximo cinco minutos. Tinha dúvidas sobre o parto, queria que fosse diferente do primeiro. Mas, ele não me respondia nada. Dizia que era cedo para falar sobre isso. Na verdade, me sentia igual às consultas do plano, sem entender nada sobre parto normal. Como num procedimento padrão para todas as grávidas que optavam pelo parto normal, você vai ao hospital quando começarem as contrações, eles te enfiam ocitocina, fazem zilhões de toques, mexem no bebê para “encaixar”, te cortam (episiotomia), empurram sua barriga e o bebê nasce. Rapidinho! Mas, eu pensava que NÃO ERA POSSÍVEL ser daquele jeito para todas as mães que optavam pelo parto normal. Isso não deve ser o normal. Por isso, minhas dúvidas eram se eu podia evitar esses procedimentos e ninguém me respondia.

Quando já estava no final da gravidez, resolvemos procurar uma doula. Na minha cabeça (e de muitas pessoas), essa profissional era aquela “radical” que queria ajudar pessoas “radicais”. Até usei este termo no nosso primeiro encontro, ela riu, e hoje me encontro, aqui, defendendo essa “coisa hippie”, esse procedimento tão simples, natural, lindo e inesquecível. Enfim, a doula foi a peça chave para tudo o que procurava. Ela tirou todas as minhas dúvidas, me explicou sobre cada procedimento, me fez refletir e me deixou à vontade para escolher o que EU iria querer para o MEU parto. Daí coloquei tudo num plano de parto e entreguei no hospital que escolhi ter meu filho. Felipe é sãocarlense, pois seria impossível realizar o parto da forma que queria em Rio Claro (Ipeúna não tem hospital). Larissa nasceu em Rio Claro e já sabíamos como seria lá. E ainda por cima, verificamos que não era permitida a presença da doula durante o parto. Já em São Carlos, o hospital público possui sala especial para parto natural.  As enfermeiras obstetras já estão preparadas para esse procedimento e aceitam a presença do pai e da doula.

O nascimento do Felipe começou numa madrugada de quarta para quinta (18-19/06/14) quando estava completando 40 semanas e 3 dias. As contrações começaram de meia em meia hora, mas fracas. Como não sabia o que fazer, liguei para a doula. Achamos melhor ir para São Carlos, mas no caminho as contrações pararam. Voltamos para casa e tentei descansar um pouco. De noite, as contrações voltaram. Passei a noite sentindo e marcando o tempo. Estavam irregulares. Confesso que depois de duas noites sem dormir, sentindo dores, já tinha desistido. Pedi para ir ao hospital. Nessa hora o pai é fundamental. Como ele havia me acompanhado em todas as reuniões com a doula, estava até mais entendido sobre o assunto do que eu. Ele não me deixou ir ao hospital. E eu agradeço muito a ele por isso.

Então, a doula veio para minha casa. Ficamos o dia todo em nossa casa, tranquilos, com nossos bichos, no nosso ambiente, sentindo as contrações, procurando a melhor posição para senti-las, vendo tv, descansando um pouco, conversando. Foi demais! Imagina passar esta fase no hospital?! Quando começou anoitecer, resolvemos ir para São Carlos. Nessa fase, as contrações estavam ritmadas de dez em dez minutos. Ficamos na casa da doula e não passou muito tempo entrei em trabalho de parto efetivamente. Fiquei no chuveiro, sentindo, fazendo exercícios, relaxando até as contrações chegarem de cinco em cinco minutos. Fomos pro hospital e as contrações passaram para três em três minutos. A enfermeira me examinou e disse que eu já estava com oito dedos de dilatação, que já conhecia meu plano de parto e que podia ir direto pra sala de parto. Fui para o chuveiro. Chuveiro alivia bem. A bolsa estourou. Não demorou muito a enfermeira veio me ver e disse que o Felipe já estava chegando. Sentei no banquinho e as contrações vinham junto com aquela vontade de fazer força. A cada força, o Felipe vinha um pouquinho. Pedi para o pai ficar atrás de mim, pois assim eu sentia o cheiro dele e também ele me ajudava na hora de fazer a força. O cheiro dele me acalmava nos intervalos das contrações. Nesses intervalos, a gente conversava. Eu ouvia as músicas que havia escolhido. Estava tudo tranquilo e gostoso. A enfermeira me mostrava como estava indo com um espelho. Quando ele começou a sair, eu já conseguia fazer carinho na cabeça dele. Que sensação maravilhosa! Faltava muito pouco. Mais umas três forças e ele nasceu. A enfermeira somente apoiou a cabeça dele, ele saiu, girando, e eu peguei ele. Ele chorou um pouco, coloquei no meu peito e logo parou. Tão lindo! O pai fez carinho e, assim que o cordão parou de pulsar, ele cortou. Só depois disso que tiraram ele de mim e levaram para os exames com o pai sempre presente. Foi bem rápido. Foi o tempo de sair a placenta, eu me levantar e sentar na cama. Logo, já vieram com ele e com comida. Tava com uma fome! Tomei um banho e fui andando para o quarto.

Não sei se fui clara, então um parenteses: nenhum médico esteve presente no nascimento do Felipe. Somente depois que ele nasceu,um pediatra entrou para examina-lo. Quem realizou o parto fui eu, hein?!

O Felipe nasceu de sexta para sábado à meia noite e cinco do dia 21 de junho. Veio canceriano e no inverno por cinco minutos. Veio muito calmo, tranquilo. Não chorava. Não tive problema para amamentá-lo. Meu leito desceu rápido e ele pegou rápido. Cuidei dele tranquila no dia seguinte. E ainda ajudei uma mãe que havia feito cesárea que não conseguia cuidar de sua bebê. Ficamos juntos o tempo todo. Senti como se nossa ligação tivesse aumentado após o parto. Com a Larissa, infelizmente, me sentia mal no começo. As lembranças eram tristes. Nossa ligação teve que ser construída dia após dia. A minha indignação ficou ainda maior no dia seguinte, quando o médico veio me examinar e nem me examinou, somente nos informou que, como foi parto natural, eu já estava de alta e que precisava somente esperar a alta do Felipe. E o Felipe teve a alta antes das outras crianças. Os pediatras que o examinaram acabaram cedendo às 48 horas de hospital já que o Felipe não apresentava nenhuma irregularidade. É duro ouvir isso quando se sabe que os médicos empurram as mães para as cesáreas. Ouvi muitos relatos no hospital que falavam isso. 

Enfim, não sei se correspondi às expectativas ou se esqueci de alguma coisa, espero que me desculpem se não. Escrevi com carinho. E se de alguma forma ajudar as pessoas buscarem informações sobre o assunto, já me sentirei muito gratificada.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Meu parto normal (Parte 2)

Ansiosíssima para o nascimento da minha florzinha, aguardei as contrações do trabalho de parto como se esperasse algo mais delicioso deste mundo. Cada dorzinha que me dava, me enchia de esperanças. "Será hoje?"
Considero os últimos 15 dias de espera os piores de toda gravidez, somente pela ansiedade mesmo. Porque conseguia dormir tranquila, só não me movimentava como antes, me cansava mais com aquele barrigão, mas não sentia mais nada além disso.
Pois bem, numa certa madrugada senti algo diferente. Uma dor mais doída, vamos dizer, que vinha e ia embora. "Será isso a contração tão esperada? Só pode ser isso...acordo meu marido ou não? Péra, vamos aguardar um pouco..." Dormi de novo e só acordei de manhã. Mais um alarme falso. Poxa, cansei de brincar de alarmes falsos!
Tenso saber que a Larissa tinha só mais três dias para nascer, senão o médico marcaria cesária. Me sentia uma péssima mulher e mãe. Parecia que não tava conseguindo cumprir meu papel depois de tanta preparação.
Enfim, no dia seguinte acordei me sentindo muito estranha. Não sei explicar. É estranho. Só queria cama e sentir a dor que vinha e ia embora. Fiquei assim até de tarde, aí passou. Então, resolvi ver Batman no cinema. Marido tava doido pra assistir...
Andamos no shopping, conversamos, comemos lanche (chutei o balde mesmo!) e fomos ao cinema. Eis que no auge do Batman acabando com o inimigo (não lembro nada desta cena!), senti uma contração enorme. Enorme de dor e de duração. Pensei: "Ixi, é daqui pro hospital!". As malas já estavam no carro mesmo. Porém, nada! Passou. Fomos pra casa e fui pra cama. Não consegui nem cochilar. Começaram as contrações de novo, desta vez ritmadas. Eba, trabalho de parto!
Fiquei na sala sentindo as dores e marcando no relógio. De 5 em 5 minutos vinha uma contração. Quando começaram a apertar, fui tomar um banho. Realmente alivia a dor. Acho que fiquei uma meia hora embaixo do chuveiro. Assim que percebi que não tava mais aguentando a dor, acordei meu marido e fomos pro hospital.
Check-in feito, fui examinada e constataram 5 dedos de dilatação. Ótimo pro parto normal! Meio caminho andado, podemos dizer. Então, a enfermeira me motiva com seu comentário: "Você está com dor?" Eu: "Muuuita. Dói pra caramba!" Ela:" Isso não é nada. É só o começo..." Eu: "..."
Fiquei andando pelo saguão do hospital, respirando fundo, tentando assistir tv, conversar com meu marido pra distrair, mas naada distrai a dor. Não tem jeito. Apesar dela, eu estava calma e tranquila. Algum tempo depois vieram me chamar, iria direto pro Centro Cirúrgico. Aí sim, fiquei tensa! Mas já?

Indo pro Centro Cirúrgico

Chegando lá, me tornei atração. Todo mundo vinha conversar comigo. Descobri depois que havia 4 meses que não tinham um parto normal. Triste realidade. De repente, me colocaram no 'soro'. Meu medo aumentou. Não queria ser induzida. Ainda eram 6 da manhã. Tinha o dia todo livre pra ter a Larissa. Mas, não. Me induziram. A enfermeira veio com aquele papo de "Você vai querer ficar sentindo esta dor horrível o dia todo ou já resolver isso logo?" E eu tive opção????
Meia hora depois eu já me contorcia de dor. Uma hora depois, eu já não era mais eu. Quando a contração vinha eu me desesperava. Pedia pelo amor de Deus meu médico e uma anestesia. Logo o médico chegou, me examinou e disse que já estava com 8 dedos de dilatação. Nesta altura do campeonato não valia mais a pena anestesia. A pior parte já tinha passado. Pra ele né?! Porque em seguida ele estourou minha bolsa e aí sim vi estrelas. A contração vinha, o médico me 'ajudava' a encaixá-la, ela ia embora e eu desmontava. Apagava mesmo. Já estava exausta.
Larissa encaixada, pronta pra sair, fomos pra sala de parto. Senti uma picadinha. Era anestesia local para o famoso 'pique' (episiotomia). Próxima contração, fiz força, quase mordi a mão do meu marido, enfermeira ajudou a empurrá-la e ela nasceu!

Me levaram a Larissa e eu nem conseguia falar de tão cansada. Acho que disse: " Que linda!" E apaguei de sono.


Hoje penso que talvez tenha sentido mais dor que o necessário pela indução. Acho que se tivesse esperado o tempo certo do parto, não teria sofrido tanto. Mas, considero também que o médico tenha feito esta opção por causa de sua agenda. Para não desmarcar nenhuma consulta e acabar logo com o assunto. O que é outra coisa da triste realidade.
No meio do parto a gente acha que não vai conseguir. Não acredita que possa aguentar aquela dor. Mas, a gente aguenta. Somos fortes e nem sabemos disso. Se valeu a pena? Muito! Passaria tudo de novo por nós e pretendo passar com meu segundo filho.


E deixo aqui mais uma vez minha enorme gratidão pelo meu marido que não saiu de perto de mim nem por um segundo, quase perdeu a mão quando tentei mordê-lo e que me deu muita força para conseguir. Te amo, meu amor!

Meu parto normal (Parte 1)

É preciso coragem pra lembrar bem daquele dia. Um dia de extrema felicidade misturada com pavor pela dor sentida. Tá certo que depois de um tempinho, a gente acaba nem lembrando mais como era a dor. Mas dói!


Cada mulher tem um limite para dor e cada parto é um parto. O importante aqui é registrar como foi este parto. O parto da minha florzinha Larissa.
O parto começa desde o início da gravidez quando a gente descobre que passará por ele e começa a se preparar. Eu super recomendo alimentação saudável, exercícios (que eu não fiz!) e muita, mas muita informação sobre o assunto.
Durante a gravidez tive o privilégio de me alimentar muito com agricultura natural. A rotina era café da manhã, fruta, almoço, lanche, janta e um chá antes de dormir. Todo dia. Era regra comer de 3 em 3 horas. Já não era fã de refrigerantes e embutidos, então, foi fácil cortá-los do cardápio. O que não foi fácil foi cortar a cervejinha, o cheetos e os lanches do Mc Donald´s. A cerveja e o cheetos cortei legal. Mas, o lanche, me dei o direito de comer alguns nesta fase. O importante é não exagerar, certo? Após o sexto mês, eu que não era fã de doces, desejava chocolates, bolachas, sorvete, tortas, enfim, muito doce. Comia sim, mas com bom senso (ou quase). Não devorava todo o brigadeiro de uma vez, comia aos poucos, mesmo com a vontade de acabar com tudo no mesmo momento.
Exercícios nunca foram meu forte. Sou sedentária messsmo. Daquelas que pega o carro pra ir ao mercado que fica 5 quarteirões de casa. Mesmo assim, no início da gravidez, tentei. Andava 15 minutos e já morria. E também não conseguia ser assídua, sabe?! Se andei duas vezes numa semana, foi muito. Aí larguei mão de vez e troquei o caminhar pelo limpar a casa mesmo que é o que gosto. Hoje penso que me fez falta. Andar fortalece a musculatura que ajuda no parto.
E as informações tão aí, a internet tem tudo. Primeira coisa que fiz foi ver vídeos dos partos normal e cesariano. De cara escolhi o parto normal. Depois li sobre os benefícios do parto normal para mim e pra Larissa. Li também muitos relatos de mamães e de médicos. Eu sabia cada etapa que passaria durante o parto.
Escolha feita, fui atrás de um obstetra que topasse a parada. É difícil achar quem tope. Ouvi de uma médica que por questões financeiras, ela não gostava de fazer partos normais e me indicou outro médico. Mesmo assim, este que fazia partos normais, não era assim O médico naturalista que pensava no nosso bem e, sim, aquele que respeitava minha opção. Ponto.
Até o nono mês, engordei somente 9 kg e no último mês engordei mais 3 kg, total 12 kg. Ótimo para um parto normal. Gravidez tranquila, nada de pressão ou glicemia alta, bebê encaixada direitinho, tudo caminhou bem para o parto normal. E ele aconteceu...